O GRANDE PONTO

 

Restam hoje apenas lembranças e narrativas sobre o Grande Ponto. Um local firmado na cidade a partir de um Bar no seu centro comercial. Ali se juntava muita gente para desfrutar de uma bebida ou mesmo fazer uma refeição rápida. No seu entorno se formavam grupos a conversar sobre o que acontecia na cidade, no país e no mundo. No entanto, à medida que o tempo foi avançando e a cidade crescendo, o Grande Ponto foi desaparecendo. A cada década que passava, ele era menos frequentado, até sumir da paisagem daquele bairro. No seu lugar foram instalados espaços comerciais que abafaram a sua vocação natural. Nos últimos suspiros da sua existência, alguns moradores mais antigos insistiam em se encontrar nas proximidades de onde um dia ele existiu, havendo um pequeno movimento que sumiu de vez com o passar do tempo. Hoje, no seu lugar, acontece uma frenética movimentação de transeuntes a passar por suas calçadas. O que sobrou foi uma placa colada sobre a parede do prédio onde funcionou o Grande Ponto, demarcando a sua existência passada e preservando uma memória da cidade, apesar de quase desaparecida. É uma pena que lugares como aquele não existam mais. Infelizmente, a modernidade induz a hábitos que estimulam a solidão. Um dia, admirando velhos postais pude ver o Grande Ponto e os seus frequentadores numa época distante. Aquela fotografia apresentava uma atmosfera mágica com figuras de um tempo passado. Dava para sacar daquela ilustração as energias emanadas da hora mágica da captura daquele momento do eterno passar do tempo. Olhei cuidadosamente para os detalhes da fotografia e pude enxergar a felicidade das pessoas ali registradas para sempre. Tinha aquela convicção por ser apegado ao passado, e, achar aquele tempo  melhor do que o presente. Assim, resolvi sair em busca de alguns frequentadores do Grande Ponto para conhecer melhor aquele lugar especial. Comecei a pesquisa buscando o cronista maior da cidade, o Senhor Vince Cerezza, que me indicou uns poucos remanescentes daquela bela época. Soube por seu intermédio que alguns dos antigos frequentadores moravam num antigo Hotel na Ribeira. Para lá me dirigi em busca de saber mais sobre o Grande Ponto. Ao chegar ao Hotel conheci dois Senhores octogenários, chamados de Luiz e Dedel. A conversa foi maravilhosa atendendo às minhas expectativas. Soube que o Grande Ponto era um local frequentado por muita gente. Nas suas proximidades estavam cafés, bares, lojas, sorveterias e restaurantes. Dedel justificou a sua decadência em virtude do progresso da cidade com o surgimento de outras áreas de comércio e lazer. Ganhei dos novos amigos um Cartão Postal, cujo motivo principal era uma paisagem do Grande Ponto nos seus tempos áureos. Luiz me explicou que aquele cartão explicaria o que aconteceria mais tarde, ainda com a ressalva de que eu não me preocupasse. Sem dar importância ao que havia escutado, fui surpreendido com o convite para um passeio no Grande Ponto. Assim, fomos todos até lá no meu carro. Estacionamos nas proximidades e caminhamos por alguns minutos até o cruzamento de duas ruas movimentadas. Ao lado de uma farmácia havia uma placa de bronze com a inscrição “Aqui é o Grande Ponto”. Dedel explicou que naquele local passavam carros, ônibus e um bondinho. Também, informou que do outro lado da rua, onde hoje existe uma Loja de Departamentos, havia uma bela mansão a embelezar aquele pitoresco local. De repente, os dois senhores agradeceram o passeio e anunciaram a sua ida para mais uma tarde no Grande Ponto. Não entendi bem aquelas palavras e observei a caminhada dos dois em direção à placa de bronze até desaparecerem entre as pessoas. Sem conseguir localizá-los, fui embora pensando em voltar ao Hotel na Ribeira para saber o que aconteceu. Admirando o cartão postal que recebi, percebi os dois amigos compondo a cena ali apresentada. Será que aquela seria a explicação para o sumiço dos dois? Para tirar qualquer dúvida, alguns dias depois, voltei ao Hotel na Ribeira e revi os velhos senhores. Dessa vez, eles me convidaram para ir com eles ao Grande Ponto.