A SUCATA DO MAGO

  Quando passeio pela estrada que me leva diariamente da praia em que resido à Cidade onde tenho que ganhar a vida com meu trabalho, fico a imaginar um mundo nada parecido com o que vivo e desejo uma vida cheia de aventuras, romance, e a criação de algo que me torne maior do que essa simples criatura humana delirante, sempre em busca de ilusões e fantasias que me transporte ao mundo fantástico pleno de estórias repletas de imaginação, e, assim, preencher o vazio existencial e, enganar, pelo menos na escrita, as Leis que regem o universo, às vezes tão aborrecidamente chato e previsível. Assim, observo sempre a paisagem em busca de alguma novidade para que me dê inspiração, onde eu possa começar a escrever e entrar na dimensão criadora. Num desses passeios, fui surpreendido pela sinalização de uma sucata na estrada, quando vislumbrei placas indicando aquele estabelecimento. O nome era Sucata do Mago, constituindo-se de um galpão de duas águas, tendo na sua frente uma escultura em forma de disco voador, com uns cinco metros de diâmetro, fazendo um ângulo de 45 graus em relação ao chão, apoiado num pilar redondo de uns quatro metros de altura. Nos dois sentidos da Estrada, a placa com o nome da Sucata podia ser facilmente visualizada pelos motoristas. Como precisava de uma peça para o meu carro, parei e caminhei até chegar perto daquele objeto estranho.  Enquanto explorava aquele local, apareceu um velho conhecido. Era o senhor que conheci na Loja do Mago. Cumprimentei-o e disse que já o conhecia do vuco vuco. Soube que aquele lugar era um outro negócio, ali se vendia a sucata universal, explicou. Aquela afirmação foi uma surpresa, fazendo-me perguntar o que significava o termo universal. Ele me respondeu que ali atende às necessidades de tecnologias avançadas, como, por exemplo, discos voadores, máquinas do tempo, transportes interdimensionais, etc. Ainda, sem entender o que ouvia, perguntei se podia conhecer o seu estabelecimento. Prontamente, fui convidado para um passeio naquelas instalações. Debaixo do galpão havia baias contendo estantes de aço repletas de materiais, a primeira era a parte dos discos voadores, ao lado estava o material das máquinas interdimensionais, e, em seguida, passeamos por mais alguns setores. As peças armazenadas eram pedaços de metal, caixas prismáticas, parafusos enormes, painéis luminosos, dentre outras novidades. Naquele momento apareceu do nada uma máquina, que parecia um automóvel antigo tipo quadrado sem rodas, flutuando num espaço vazio no centro da edificação. Uma peça foi sugada de uma das baias e atravessou a lataria do equipamento. Na mão do Senhor Mago apareceu uma barrinha de ouro. O veículo interdimensional desapareceu aos nossos olhos. O dono da sucata comentou que muitos dos móveis e utensílios que vendia na Loja do Mago, no famoso vuco vuco, eram pagamentos feitos por alguma compra. Inclusive, a mesa que estava na minha varanda, retrucou. Era mais um episódio inusitado na minha vida. Um carro comum parou e o cliente entrou sendo prontamente atendido, só que não havia a peça desejada. Poucos momentos depois, apareceu cobrindo todo o perímetro daquela construção uma aeronave redonda, materializando-se ao nosso lado um ser extraterrestre que se comunicou usando um aparelho parecido com um celular. A peça procurada foi prometida para dentro de pouco tempo. O comprador desapareceu e logo em seguida a enorme aeronave. Ainda atônito com aqueles acontecimentos, fui convidado a entrar no escritório onde o Senhor Mago contactou através de computador de mesa uma rede mundial e buscou a informação sobre a peça procurada. Em pouco tempo a resposta foi colocada na tela em forma de coordenadas geográficas. Fomos caminhando a um outro compartimento e nos deparamos com uma porta que se abriu com a nossa chegada. De lá saiu uma aeronave redonda flutuando do tamanho de um automóvel pequeno, o qual entramos e ocupamos dois lugares. Após comandar pela voz, subimos perpendicularmente ao chão e de uma tela pude ver o afastamento da terra numa velocidade gigantesca. Quando chegamos numa certa altura a aeronave iniciou a descida e em poucos segundos estávamos numa montanha onde se encontrava um oriental com um pacote na mão. Eu fiquei no interior do veículo, enquanto meu companheiro foi buscar a peça que foi alojada numa espécie de porta malas. De longe percebi que foi entregue um pequeno objeto como pagamento por aquela compra. Fizemos o mesmo procedimento de voo e em pouquíssimos segundos estávamos na velha sucata. Quando desci, agradeci a oportunidade de fazer aquele passeio. O Senhor Mago me explicou que agora eu seria uma parte da sua rede de contato com tecnologias avançadas. Eu lhe perguntei como seria, ele me disse que já havia me adicionado a uma rede mundial e me deu uma senha num pedaço de papel cartonado. Por fim escutei a observação fique sempre de olho no seu email. Quando estava para sair apareceu um freguês e perguntou se ali havia disponibilidade de uma determinada peça para a sua camionete. Dessa vez a resposta foi positiva, e a pessoa saiu dali contente com a aquisição. Despedimo-nos e até hoje aguardo um contato da rede mundial de tecnologias avançadas. Quanto tiver alguma novidade escrevo contando a experiência.