O CASTELO DO SERTÃO

 


Uma das mais surpreendentes vontades que eu já vi em toda a minha vida foi o súbito desejo de construir-se um castelo medieval em pleno sertão do nosso gigante país. O castelo em questão era uma das maravilhosas paisagens de um filme que abordava um tema da idade média com tudo o que se tinha direito, cavaleiros de capa e espada, lindas damas, torneios, reis, rainhas e a vida na corte. O suntuoso castelo do filme ficava em cima de uma elevação com uma linda vista para um vale com um rio despontando na paisagem. O cinema que passou aquela maravilhosa película foi o Cine Old. Frederico era o nome do rapaz que assistia ao filme. Ele tinha cerca de vinte e poucos anos e entrou para valer na atmosfera mágica que só aquele cinema continha. Ele me contou que chegou a fazer parte do filme no qual havia um belo castelo medieval. Ele de repente entrou na trama cinematográfica como um espadachim que defendia a unhas e dentes o Reino de Currais, um feudo sentado na Europa que mantinha sua riqueza baseada na criação de gado bovino e exportava para o mundo todo exemplares de animais das mais primorosas raças, e por causa disso disso era muito rico. Os servos mantinham uma vida tranquila nas suas pequenas aldeias em volta do castelo. A paz reinava naquele reino, cujos soberanos eram o Rei John e Rainha Olivia. O casal real tinha cinco filhos, sendo o mais velho o Príncipe Paul que almejava conhecer o mundo e conquistar novos territórios para o seu reino. Naquele tempo se ouviu falar de novas terras a oeste com muitas riquezas. Dizia-se que o ouro e a prata eram abundantes e fáceis de se conseguir. O Principe Paul, um rapaz de cerca de vinte anos, comunicou ao Rei que iria se aventurar por terras a oeste para angariar muitas riquezas para o seu Reino. O Rei contrariado, por entender que já era bastante rico e gostaria de manter aquela situação que garantia a sua família e aos servos uma vida boa e pacífica, aceitou a decisão do filho e abençoou a sua iniciativa. A parte seguinte foi juntar uma comitiva para a viagem às terras a oeste. Assim, foi anunciado no reino a convocação de homens para ajuntar-se ao Príncipe na sua nova empreitada. Foi nesse momento que Frederico foi magicamente abduzido para a trama e entrou na dimensão cinematográfica como um dos membros da comitiva real. A ida às terras do oeste foi numa caravela que após uma viagem com ondas enormes, calmarias e tempestades chegou ao seu destino. De longe era visto um monte muito alto que nas cartas náuticas era chamado de Pico do Gibucá. Houve um encontro com os índios que receberam a comitiva muito bem. Em poucos dias a tripulação havia conseguido muito ouro e prata e a viagem de volta foi iniciada. No caminho de volta aconteceu um motim a bordo, acontecido por iniciativa de um dos nobres da corte real, que queria ficar com toda a riqueza, mas, os espadachins fiéis dominaram a situação de revolta e tudo voltou ao normal. Na chegada ao reino, o Principe Paul foi recebido em festa pelo Rei que o nomeou Príncipe de Arica, uma das regiões do Reino de Currais. Frederico acordou do devaneio ainda com o filme em andamento e pode assistir ao final da película que aconteceu num dos mirantes do castelo com Paul sendo nomeado Rei de Currais ao lado da sua noiva, a princesa Helen. Numa viagem a sua cidade natal, Frederico foi caminhar numa localidade denominada Alto do Galo, situada numa parte muito alta onde havia a estátua de um galo. De lá, ele observou a paisagem e se deparou com uma cena já conhecida na sua mente. Era uma imagem que ele havia visto em terras do Reino de Currais. Num outro local elevado seria construído um castelo semelhante ao que ele havia conhecido, prometeu a si mesmo o jovem Frederico. O local escolhido foi um monte com uma vista espetacular composta por um riacho, casas, vegetação e muitas serras. A construção foi iniciada e em alguns anos o castelo estava pronto. A construção apresentava quatro torres, sendo uma central mais alta onde Frederico passava horas admirando a paisagem. Para a sua surpresa, um dia chegou ao seu castelo uma comitiva Real. Era o agora Rei Paul com sua esposa Helen e dois filhos pequenos. Frederico recebeu os visitantes e lhes ofereceu um belo almoço. Mais tarde, todos foram passear pelas redondezas a cavalo e conhecer o reino de Frederico. O Rei Paul ficou muito admirado com o sabor de um licor especial feito com a fruta do cactus. Frederico lhe ofereceu algumas garrafas do apreciado licor e potes de um doce também feito com a fruta do cactus. No final do dia a comitiva partiu e Frederico prometeu visitar em breve o Reino de Currais. Toda a comitiva sumiu aos olhos de Frederico que ficou saudoso com os amigos imaginários e resolveu escrever o encontro numa carta que me foi enviada relatando a visita a qual descrevo neste conto.