MUITOS MUNDOS

Como admiro as pessoas que têm uma segunda chance. Alguns a buscam desesperadamente e outros simplesmente recebem uma nova oportunidade como um presente da vida. Ou será que estas pessoas não têm acesso a futuros alternativos? Assim, comecei a imaginar a possibilidade de todos nós termos múltiplas escolhas na vida. Não é justo que numa encruzilhada se escolha o caminho errado, indo-se em direção a um abismo ao invés da estrada correta. Olhando o mar, fico lembrando das minhas escolhas. Não foram fáceis. Também não sei se foram certas. Será que esta casa em frente para o mar é a melhor moradia. Por que não moro num edifício de apartamentos com segurança oferecida por uma guarita, câmeras, vigias, etc? Por que hoje moro nesta cidade? Tive a oportunidade de morar em pelo menos umas cinco cidades em toda a minha vida. Mas, uma escolha momentânea relacionada à interesses imediatistas me fizeram estar aqui e definiram o meu futuro. Estou muito bem, sei. Mas, será que poderia estar melhor. E entrando nesta seara das escolhas, me vem à cabeça o meu trabalho. Tive muitas oportunidades de trabalho e resolvi ficar onde estava. Como seria minha vida se estivesse trabalhando em outro país, se lá tivesse continuado após um estágio. São questões difíceis de entender. Nessas escolhas tive sempre o apoio de um pêndulo. A quem perguntava e esperava o seu movimento. O movimento de um lado para o outro era uma resposta negativa e o movimento para frente e para trás era a resposta positiva. No entanto, o pêndulo certamente apenas confirmava o que já tinha escolhido. Essa breve inquietação traça um limite entre as inúmeras possibilidades que poderiam decorrer em conseqüência de escolhas diferentes nas nossas vidas, quando nós poderíamos trilhar por inúmeros caminhos, se pudéssemos adentrar os diferentes resultados das diferentes ações que tomamos em muitas situações. Todavia, em termos objetivos, tem-se que tomar uma só decisão para poder continuar a nossa caminhada nesta dimensão material. Por outro lado, a idéia de um único caminho a ser trilhado nos salva de outras possibilidades, como, de qualquer maneira, em alguma situação ser atropelado ou ser atingido por um raio numa forte chuva. Entretanto, aparece a teoria dos muitos mundos, aceita no mundo científico, que baseada na mecânica quântica, afirma que para cada possível resultado de uma ação, o mundo se divide em uma cópia de si mesmo. É um processo instantâneo que seu criador Hugh Everett III chamou de "descoesão". Imagine um conto, onde se escolhe a estória, mas ao invés de acontecer entre guiar um carro ou sair correndo, o universo se divide em dois para que cada ação aconteça, ou seja, o universo se desdobra em outro para acontecer o que não aconteceu no nosso mundo. Nesta teoria, é importante frisar que quando o universo se divide, a pessoa não tem consciência de si mesma na outra versão do universo.  Dessa forma, poder-se-ia criar outro mundo com alguém ganhando na loteria esportiva, quando se fez o jogo e não o ganhou nesse mundo. A teoria relata que os mundos são paralelos, apesar de haver suposições de entrelaçamento entre estes, quando se observa fenômenos como aparecimento de fantasmas e UFOS. Quem sabe eu não possa um dia ter contato com um desdobramento de mim mesmo em uma situação decorrente de uma escolha diferente da que eu tomei. Seria realmente muito interessante saber como teria sido minha vida fundamentada naquela escolha. Nos sonhos tenho a impressão de estar vivendo de uma forma diferente da qual vivo hoje. Será que neles posso me comunicar com os mundos paralelos. Quem sabe?