O PORTAL IMAGINÁRIO

Hoje não identifico mais portais interdimensionais, mas já houve um tempo em minha vida em que eu os identificava e sabia que em tal lugar existia uma passagem invisível. Na verdade, nunca fui atrás desses portais, apenas sabia que eles existiam, apesar de não vê-los, apenas os sentia. Era algo impressionante, eles estavam em esquinas, no meio de estradas, em curvas acentuadas, e às vezes, instalados em muros e paredes. Uma vez identifiquei um deles numa parede avançando na calçada formando uma letra L. Havia a formação de um redemoinho de vento na frente do portal identificado, podendo-se assistir o vento suspendendo poeira e folhas, e, assim, pude ver alguma matéria desaparecendo no contato com a parede. Esses portais identificados por minha mente eram completamente invisíveis, mas, eu tinha certeza de que eles estavam lá. Eu sentia como seu o lugar fosse o fim do caminho, no entanto, havia a continuação da rua, ou da esquina, o quer que fosse. A minha reação era de não passar pelo lugar, temendo que algo estranho acontecesse. No íntimo eu achava que aquela experiência não seria boa. Fato que me afastava das passagens virtuais que eu acreditava piamente. Procurei a época, alguma explicação esotérica para aquela impressão, e, como resposta soube do que já imaginava. Tratava-se realmente de uma passagem para outra dimensão, de acordo com as fontes consultadas. Também, conversando como um amigo sob o ponto de vista de questões materiais, soube que existe a possibilidade de aberturas para viagens no espaço, ou seja, o portal acontece quando o espaço se dobra e forma o famoso buraco de minhoca, que pode ser o elo entre distâncias inimagináveis. Ocorreu-me a idéia de perguntar a duração da abertura do portal do buraco de minhoca e como resposta soube que a tendência é que fosse muito rápido, talvez em centésimos de segundo. Assim, inferi que os portais que senti por muito tempo eram aqueles que nos transportavam a outras dimensões. Outra dúvida me veio à cabeça, será que os portais sumiram ou eu não consigo mais vê-los. Todavia, o mais duro era ter a consciência de que eu atualmente não enxergo esses portais. O que aconteceu comigo? Através de pesquisas, tomei conhecimento de lugares no planeta terra que são portais. Alguns deles estão onde pessoas se dirigem para alcançar outros universos. São locais onde pessoas desaparecem, e, de acordo com relatos, em algumas situações alguns curiosos querem ali realmente transgredir a passagem terrena. A literatura fala que o Triângulo das Bermudas é um desses locais, havendo acontecido uma série de fatos inexplicáveis, como o desaparecimento de aviões, barcos, navios e pessoas, que nunca foram encontrados. Também há fotografias de pessoas que subitamente apareceram em épocas passadas e foram devidamente fotografadas com roupas de tempos mais modernos portando objetos atuais como telefones celulares e máquinas fotográficas digitais. Somado a esses fatos existem depoimentos de pessoas que vieram de outros tempos impelidos por uma força inexplicável. Será que elas viajaram no tempo através de um portal?  Com toda essa inquietação a respeito do tema, decidi que tomaria alguma atitude quando reconhecesse um portal. Assim, no caminho de volta para minha casa de praia fiquei observando a paisagem. Reparei todos os detalhes da trajetória e não consegui nada. Já em casa, fui para varanda observar o mar e buscar alguma resposta para aquela situação. Sentei numa cadeira de balanço e fiquei relembrando dos locais onde um dia reconheci portais. Depois os coloquei num mapa da cidade. A figura formada, traçando-se o perímetro formado por todos os pontos, foi uma seta apontando para uma antiga coluna numa praça pública da cidade, localidade que visitei tão logo que pude. Para a minha surpresa voltei a reconhecer os portais, entretanto, os antigos não existiam mais. Tive vontade de me aventurar adentrando aqueles espaços imaginários, mas nunca tive coragem. Como prova da existência dos portais, testemunhei o desaparecimento instantâneo de um gato e o seu aparecimento alguns minutos depois na frente da coluna, local a que me dirigi depois do sumiço do animal, a fim de ratificar o que já pensava de todo esse quebra-cabeça. Por fim estou me juntando a alguns estudiosos que também identificam portais e, assim, conhecer novas experiências a respeito desse fenômeno. Pois, quase não existe o que se pesquisar sobre o reconhecimento de portais.